Por causa do testemunho Dela!

A Samaritana e Jesus – Texto em preparação para o XIII Concílio Diocesano

Por causa do testemunho dela!

O fato de Jesus passar pela Samaria já diz muito. Muitos judeus faziam outro caminho para não pôr os pés na terra daquela gente. A iniciativa de entrar em espaço estrangeiro, de se tornar estrangeiro, mostra uma tentativa de abertura, de superação do preconceito: desejo de aprender com o diferente. Nota-se esta postura tanto em Jesus como na Samaritana, cujo nome, infelizmente não nos foi preservado. De qualquer forma, ela matou a sede de Jesus. Ambos tinham desejos de matar também outras sedes.

O encontro de Jesus com a samaritana foi uma reunião entre diferentes. Diferentes no gênero: ele era homem, ela era mulher. Diferentes na cultura e na geografia: ela era samaritana, ele era galileu. E diferentes na religião: ele adorava o Deus de Jerusalém, ela o de Garizim. Embora tão diferentes, experimentaram o encontro e o diálogo, a partilha e a acolhida. Aprenderam do diferente.

Os dois tinham sede. Ambos, porém, também tinham água a oferecer. Conviveram. Juntos comeram e beberam. E isso é sinal de intimidade, de confiança e de comunhão.

O espaço em que a mulher samaritana e Jesus estabeleceram um diálogo é o poço em Siquém ao pé do monte Garizim. Era o lugar em que todo o povoado buscava água. O poço era espaço de encontro, especialmente das mulheres que ali buscavam água. Era lugar de encontrar o seu amor. Foi junto a poços que nasceu o amor entre Rebeca e Isaac (Gn 24), entre Jacó e Raquel (Gn 29,1-20) e entre Séfora e Moisés (Ex 2,11-22).

O texto poderia ter nos contado que, antes de seguirem conversa, a mulher lhe ofereceu água fresca e reconfortante. Agora refeito, Jesus pode seguir no diálogo, tenso em vários momentos. Mas é tentativa de acerto, de compreensão recíproca, de acolhida do diferente.

Depois de conversar sobre as sedes e as águas, passaram para outro assunto. Agora, o tema é a religião, passaram para um debate teológico. A referência aos maridos recorda as divindades trazidas pelos cinco povos que os assírios deportaram para a Samaria em torno de 720 a.C. (2Rs 17,24.29-31). Eram divindades impostas de fora e que faziam parte de um projeto imperialista de opressão.

Conversa vai, conversa vem e ambos, a samaritana e Jesus, foram se abrindo, ofereceram e acolheram. Foi um diálogo em pé de igualdade. Os dois transformaram e foram transformados. Porque a boa nova de Deus está no coração de cada pessoa. A samaritana reconheceu Jesus como um profeta e como o messias esperado. Logo, foi partilhar a novidade com o seu povo. Tornou-se missionária e anunciou quem lhe oferecera água da fonte da vida. Por causa do testemunho dela muitas pessoas da Samaria acreditaram em Jesus e na sua proposta de vida. A Samaritana tornou-se discípula de Jesus.

Jesus também mudou. Antes, Jesus achava que a salvação vinha dos judeus. No entanto, a samaritana ajudou o abrir os seus olhos. E Jesus sintetizou a conversa, reconhecendo que o verdadeiro culto a Deus é em Espírito e em Verdade, independente de lugar, de rito e de cultura.

Convido para sentarmos à beira do poço e conversarmos:

  • O que estamos dialogando enquanto Igreja?

  • Por causa do testemunho desta mulher que acreditou em Jesus, uma Região inteira o seguiu, Como estamos testemunhando Jesus hoje?

  • Como nossos encontros nos fazem olhar e tomar consciência de que a água da vida precisa ser distribuída e trocada através de nosso testemunho?

  • Quais são as sedes que sentimos?

  Sugestões de aprofundamento

Vários materiais já foram publicados no CEBI sobre o texto de João 4. Sua Paróquia

pode fazer uso deles para aprofundamento:

  1. Elaine NEUENFELDT. Encontros e diálogos entre Jesus e a Samaritana. In: Bíblia

e Educação Popular: encontros de solidariedade e Diálogo. PNV 213-214, p. 37-

43.

  1. Carlos MESTERS. “Senhor, dá-me dessa água! ” – O diálogo da Samaritana com

Jesus (PNV 113).

  1. Edmilson SCHINELO. À beira do poço do Bem Viver. In: A comunidade do

Discípulo Amado e o Jardim do Bem Viver (PNV 312), p. 14-16.

  1. Carlos MESTERS, Mercedes LOPES e Francisco OROFINO. A Samaritana

encontra Jesus: em busca da fonte de água viva. In: Raio X da Vida (PNV 147/148),

  1. 49-55.
  2. Maria SOAVE, Uma história do meio-dia, In: Caminhos… Errando entre Vida e

Bíblia. p. 81-84.

  1. Tea FRIGERIO. Discipulado de mulheres – a Samaritana. Disponível em

http://www.cebi.org.br/noticia.php?secaoId=9&noticiaId=4595.

  1. Nancy Cardoso PEREIIRA. A outra história de Jesus e a samaritana. Disponível

em http://www.cebi.org.br/noticia.php

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